Vamos falar de moda, bom gosto, festa e brilho? Então vamos falar de Haute Couture.

A palavra, assim como o conceito e tudo o que envolve a ideia, é francesa. Em português é conhecida como alta costura. Independementemente da língua, o luxo é sempre o mesmo. Isso porque essa é a fatia da moda que se dedica à criação exclusiva, com modelos feitos sob medida – mantém a artesania lá do início, sabe? Mas não basta ser feito à mão, envolve sempre muito glamour, pedrarias raras, cristais brilhantes, metais preciosos, bordados delicados, rendas especiais, tecidos finos… E mais: os desenhos são exclusivos (cada peça é única, não existe o risco de encontrar um igual no mesmo ambiente, no mesmo evento ou em qualquer lugar do mundo), a modelagem é perfeita e os materiais de primeiríssima qualidade. Por esse descrição, já dá para identificar do que estramos falando, não é mesmo? São aqueles modelos usados em eventos de gala, black-tie, tapetes vermelhos… Coisa de Hollywoodiana mesmo. São verdadeiras obras de arte, lindas de ver e que todo mundo sonha. Ah, e um detalhe importante: sempre, sempre assinadas pelos nomes mais reconhecidos e requisitados no mundo da moda.

Junta tudo isso com a habilidade de quem faz e o tempo e dedicação para eles (algumas peças chegam a demorar 1000 horas para ficarem prontas!), e temos peças com altíssimo valor de mercado, claro. Para ter uma ideia, há modelos na história que já chegaram a valer 800 mil dólares, entre eles vestidos black tie de Yves Saint Laurent ou itens da coleção “Madame Butterfly”, que John Galliano criou para a Christian Dior, em 2007.

Mas como nasceu?

Tudo começou em 1858, em Paris, claro. Na época, o termo Haute Couture foi usado para definir o trabalho da maison de Charles Frederick Worth, um estilista inglês que produziu o primeiro desfile de moda com esse conceito. Vale contar aqui uma outra curiosidade desse evento: foi nessa ocasião que as modelos entraram na passarela pela primeira vez – até então, as roupas eram apresnetadas no bom e velho cabide.

O negócio ficou tão sério que o termo Haute Couture tem proteção jurídica. Isso mesmo, não é todo mundo que pode usar essa definição em suas criações. Existem regras e padrões (bem rigororos, aliás) a serem seguidos e, se estiver tudo dentro das regras exigidas, então o título está garantido. Entre os requisitos, a marca precisa manter um ateliê em Paris, ter um staff de pelo menos 15 pessoas em tempo integral, fazer as peças sempre à mão e sob encomenda, com ao menos uma prova de roupa e apresentar suas coleções publicamente duas vezes por ano – e, em cada uma dessas exibições, ter pelo menos 35 looks para dia e noite. Quem define e avalia tudo isso é o Chambre Syndicale de la Haute Couture (Sindicato da Alta Costura), que anualmente revê as marcas dá a palavra final de quem continua, quem sai e quem entra nesse seleto grupo.

Atualmente, atendem pelo nome de Haute Couture as marcas Chanel, Dior, Schiaparelli, Maison Margiela, Atelier Versace, Zuhair Murad, Elie Saab, Bouchra Jarrar, Stéphane Rolland, JPG, Viktor & Rolf, Adeline Andre, Ulyana Sergeenko, Fendi, Giorgio Armani Privé, Alexis Mabille, Maurizio Galante, Alexandre Vauthier, Giambattista Valli, Ralph & Russo, Dice Kayek e Franck Sorbier,

O glamour que envovle esse universo é tanto que na Segunda Guerra Mundial Hitler tentou tirar o controle da alta costura da França e levar para a Alemanha. Em vão, claro.

Do Brasil, já tivemos Ocimar Versolato como representante nos desfiles franceses de alta costura, hoje está Gustavo Lins. Eles estão entre os estilistas convidados que fazem um pret-a-porter de luxo com know-how de alta costura. Mas se o sindicato achar que a coleção não foi tão boa assim… aí cortam na hora. Eles são exigentes.

Mas tem o outro lado da moeda! O Sindicato não apenas controla, mas também investe para garantir que a qualidade de artistas permaneça alta. Por isso, desde 1928 mantém uma escola de estilismo e modelagem para costureiros e criadores que quiserem tentar entrar nesse ramo.

Luxury dress

Por aqui em terras brasileiras não temos alta costura – apenas estilistas convidados, como dissemos antes. Mas temos pret-a-porter de luxo e roupa sob medida de luxo. Em ambos os casos, temos artistas que trazem o mesmo rigor em cuidado, estética, glamour, conhecimento, a qualidade. E o resultado são criações dignas de qualquer tapetre vermelho.

Um desses nomes de destaque quando falamos em luxury dress é o estilista Sergio Gavioli. E por isso Torrego fez questão de conversar com ele para conhecer mais de perto sua obra, seu processo criativo e seu ateliê.

Neste papo, nós mostramos três modelos de vestidos, cada um com características e histórias diferentes. Mas suas criações vão muito além disso. Ele vai de casamentos – com vestidos de noiva de cair o queixo, a festas badaladas – com looks black tie de arrasar. A delicadeza nos bordados, a qualidade nos acabamentos, o cuidado na produção, o conhecimento nos desenhos são apenas algumas das marcas do trabalho do artista.

Nossa querida Claudia Métne é cliente dele e, pelo menos uma vez por mês, usa uma de suas criações em eventos e festas da noite paulistana. E no dia a dia ela pode conferir de de perto esse trabalho, que é cuidadoso e detalhado, mas não é fácil – o modelo que ela veste no vídeo, por exemplo, demorou cinco meses para ficar pronto.

Mas e os homens?

Precisam ficar de fora desse mundo e apenas passar vontade? Claro que não, e o Torrego está aqui para provar isso. Ele tinha o desejo de vestir um modelo Sérgio Gavioli, e a solução do artista foi criar esse belíssimo colete que você confere no vídeo. Uma peça que combina uma modelagem precisa, materiais de qualidade, muito bom gosto e luxo. Tudo isso sem deixar de lado as características do próprio Torrego. Afinal, ouvir e entender o cliente faz parte do processo criativo da moda. Foi assim que o designer chegou nas cores (predominantemente tons de azul, seus preferidos) e bordado na medida certa – nem pouco para passar despercebido, nem excessivo para não ficar muito “Elton John”, como brinca Torrego. Para ele, o importante é ter todos os elementos em equilíbrio para que a estrutura do trabalho seja valorizada e destacada (e não escondida atrás dos brilhos).

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