Joias são para sempre e também estão presentes no nosso mundo desde sempre. Sabe-se que desde a pré-história já faziam parte da humanidade. Na época, eram adornos feitos de madeiras, pedras, ossos. Com o tempo, foram ganhando novos materiais e também agregando diferentes funções e significados.

Rico em materiais
A primeira coisa que passa pela nossa cabeça quando pensamos em joias é em ouro, não é mesmo? E dá para entender. Além do valor desse metal, ele já está nesse cenário há muito tempo e por isso carrega uma certa tradição – além de todo valor que agrega, claro. Acredita-se que tenha sido descoberto por volta de 4000 a.C. na Mesopotâmia e, por ser um metal maleável, é fácil confeccionar peças a partir dele. No estado 100% puro é o que chamamos de 24k, mas também é muito comum usar uma liga dele misturado a outros metais, como prata e cobre, e aí é conhecido como ouro 18k. E existem as variações: ouro amarelo, ouro branco, ouro rosa.

Hoje, além do ouro, outros materiais muito comuns na joalharia são prata, platina, titânio e até aço inox. Mas sabia que até meteorito já foi usado para fazer joias? Pois foi o que descobriram pesquisadores e historiadores. A história é a seguinte: uma pesquisa publicada na revista científica Meteoritics & Planetary Science conta que o ferro que os antigos egípcios usavam para produzir seus adornos vinha dos meteoritos. Essa conclusão veio depois de analisarem um colar que tem nada mais, nada menos que 5.300 anos de idade. Só que a mais antiga evidência de derretimento de ferro só aconteceu do século 6 a.C, ou seja, anos depois da produção deste adorno. E aí ficou a pergunta: como foi feita aquela peça se o ferro ainda não podia ser derretido?

Foi preciso estudar em minúcias o colar para entenderem a sua composição e produção. Primeiro, encontraram quantidades de ferro e de níquel em proporção equivalente a de um meteorito. Depois, identificaram uma estrutura conhecida como padrão de Widmanstattën, que é formado por linhas características da lenta cristalização de ferro e níquel no interior dos asteroides que dão origem aos meteoritos. Juntaram os dois dados e estava confirmado: o metal veio mesmo dos céus.

Mas como um meteorito virou um colar, é a dúvida que naturalmente surge em seguida. Pois com a ajuda de uma tomografia computadorizada, os pesquisadores construíram um modelo tridimensional da estrutura da joia e, a partir daí, descobriram que os egípcios pegaram um pedaço de ferro do objeto voador e martelaram até que ele se transformasse em uma pequena placa. Depois, foi só embutir no colar, como fazemos ainda hoje.

Rico em histórias
Mas nem só pedras e metais é feita uma joia. Tem também o lado sentimental que ela carrega, o status dentro de um contexto histórico e até mesmo seu poder como amuleto.

O mais comum é associarmos joias a famílias reais, que desde sempre ostentaram coleções extensas e de fazer brilhar os olhos. Isso porque quanto mais e mais valiosas joias um reino tem, mais poder e importância ele teve para a história do país ou do mundo. Mas talvez a coleção que mais chame a nossa atenção é a da família real britânica, que conta a história, desperta curiosidades, impressiona pelas cifras, atrai pela grandiosidade.

As joias da corona britânica são tão importantes que durante a Segunda Guerra Mundial foram escondidas para que os nazistas não as pegassem. E não foi um esconderijo qualquer. Evidências mostram que ficaram guardadas em um refúgio aéreo 12 metros abaixo do Castelo de Windsor com acesso para poucos e por uma escada muito longa.

São mais de 300 itens somente na coleção pessoal da rainha Elizabeth II (sem contar o acervo de família), sendo mais de 23 mil pedras preciosas, entre rubis, safiras, pérolas, esmeraldas e brilhantes. No total, cerca de 139 milhões de reais. Dá para entender todo o cuidado, não é mesmo? Dentre elas, a peça mais importante da coleção é a Coroa de São Eduardo. Produzida em 1661 para a coroação de Carlos II, é feita em ouro sólido, pesa quase 3 quilos e tem 440 gemas diversas aplicadas. O mais curioso é que somente a rainha Elizabeth II, o arcebispo de Canterbury e o joalheiro da coroa podem tocá-la.

Deixando de lado o inquestionável valor financeiro, isso tudo ainda tem um valor sentimental grande para a rainha, já que são presentes pessoais e heranças de várias gerações de rainhas, muitas vieram de sua avó Maria e sua bisavó Vitória.

Nessa coleção tem ainda presente do governo sul-africano em seu aniversário de 21 anos ou o famoso broche Williamson que ostenta um diamante rosa descoberto na Tanzânia pelo canadense JT Williamson, que deu a peça como presente de casamento da rainha, e assim por diante. No topo de sua preferência está o anel de compromisso que foi desenhado pelo próprio duque de Edimburgo e o broche Kensington em forma de laço, que usou no funeral de sua mãe em 2002.

Uma coleção que carrega valor, mas também muita beleza, tradição, história e superstições.

Rico em autenticidade
De família real ou família normal, joia sempre enfeita, é valiosa, é eterna. Mas é mais que isso, joias podem despertar emoções, contar histórias e até traduzem quem é você. Para nós, esse é o verdadeiro valor das joias e é por isso o Torrego convidou a designer Ana Cecília Sottano, criadora da marca Plume, para esse bate-papo.

Suas peças contemporâneas são produzidas a partir de um mix de materiais, formas e possibilidades de uso com diferentes encaixes e combinações. Um design nada convencional e uma produção menos convencional ainda porque vem da natureza. Mas vem literalmente da natureza. Não só a inspiração, mas o molde das joias são os próprios elementos naturais, de caules e raízes a folhas e flores. “Tento fazer uma criação diferenciada que saia do usual. Já criei coleções em cima galhos de orquídea, lascas de árvore, galhos da lavanda…”.

O processo em si já conta uma história irresistível, mas é nas nossas mãos que ganha sentimento. Como a noiva que guardou um ramo das flores recebidas no dia do noivado e, a partir dele, a Ana Cecília criou uma joia exclusiva, cheia de recordações, emoções e personalidade. Essa, aliás, é outra possibilidade de trabalho na Plume: a criação de peças customizadas, feitas unicamente para você.

Joias que transformam o momento, simbolizam um sentimento, despertam uma lembrança ou conectam as pessoas e o mundo.

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