A busca pela simplicidade é uma das principais pautas do mundo moderno. Em todas as áreas da vida, eliminar os excessos e acumular menos coisas tem sido a escolha de muita gente. Menos roupas compradas, menos lixo produzido, menos livros acumulados, menos comida desperdiçada… E isso se reflete também na arquitetura e decoração, com espaços residenciais e profissionais cada vez menores, projetos inteligentes, objetos multifuncionais, móveis versáteis e estilo minimalista.

A tendência de reduzir espaços é tão forte que nasceu nos Estados Unidos o “tiny house movement” (movimento casa minúscula, em tradução livre). Ou seja, as pessoas estão cada vez mais abrindo mão de suas casas espaçosas e cheias de cômodos para se acomodar em locais pequenos. Mas pequenos mesmo, com menos de 50m² – às vezes até menos de 20m².

Quem faz essa troca leva em consideração muitos fatores para tomar a decisão: os baixos custos mensais para a manutenção das casas, a praticidade na rotina, a sustentabilidade (menos recursos e materiais envolvidos para construir e manter, menos lixo produzido, entre outros) e o estilo de vida que, naturalmente, fica mais simples. Mais do que um lugar para morar, o movimento entrega uma filosofia de viver.

É claro que esse não é um estilo para qualquer um seguir. Por mais adeptos que conquiste a cada dia, ainda são poucos os que conseguem abrir mão de seus bens e pertences para se acomodar em um espaço tão reduzido. E falando especialmente sobre o Brasil, onde o movimento ainda não é muito conhecido e tem poucos adeptos, essas casas, apesar de pequeninas, têm um custo bem alto.

Com ou sem uma filosofia por trás, o fato é que não tem como negar que os espaços reduzidos estão cada vez mais conquistando o mercado. Apartamentos de um quarto só, lofts, studios, quitinetes… Muitos são os estilos e nomes, mas todos têm em comum a redução da metragem. Em geral, quem procura esse perfil de imóvel são as pessoas que moram sozinhas ou jovens casais sem filhos.

Quando o assunto é ocupar estes ambientes, o desafio de quem vai decorar e projetar é conseguir aproveitar os poucos metros quadrados da melhor forma possível para conciliar praticidade e bem-estar.

Mágica em 12m²
O que nos fez parar para pensar em tudo isso foi um espaço impecável que encontramos na última edição da CasaCor São Paulo, evento de decoração e arquitetura que acontece anualmente em diferentes cidades do Brasil. Dentre tantos projetos expostos, todos cheios de criatividade, bom gosto e excelentes soluções, nos chamou a atenção o assinado pelos arquitetos Julio Dantès e Camila Szuminski. A dupla tinha nas mãos apenas 12m² – o menor ambiente da mostra! E uniram experiência com criatividade a um olhar sensível e apurado para aproveitar o espaço de forma inteligente, inspiradora e criar uma sala que fosse acolhedora e ao mesmo tempo funcional.

O ponto de partida escolhido foi a cultura, com a intenção de despertar o interesse pelo tema das pessoas que passassem por lá. Por isso, não apenas se dedicaram ao projeto de decoração, mas também fizeram um apurado e cuidadoso trabalho de curadoria de arte. Reuniram uma seleção de artistas novos, peças originais e referências variadas que se encaixam e se complementam, transformando o espaço em um lugar cheio de personalidade e conforto. “Gosto de misturar e de dar oportunidade às pessoas. Nesse espaço trouxemos tudo o que era novo e artistas que precisavam de acolhimento”, diz o Julio com uma generosidade no olhar e no criar.

Dentre os artistas escolhidos estavam o fotógrafo Flavio Boaventura, com a fotografia “Joia do Nilo” em destaque na sala, e o escultor Hermes Santos.

Hermes é um paulistano conhecido pela imaginação sem limites. Para produzir suas peças, passa por um processo criativo curioso e autêntico que combina seu olhar apurado e pesquisas diversas aliados a computadores de última geração, robôs articulados, impressoras 3D e softwares variados para a criação robótica. Todos esses elementos entram na sua criação e resultam em belíssimas obras. E tem de tudo. Desde pequenas, que se encaixam em ambientes internos como a encontrada no projeto de Julio e Camila, até um dos mais magníficos Parques Tecnológicos da manufatura Aditiva e Impressão 3D em Alphaville, em São Paulo.

Assim, cada cantinho foi preenchido com escolhas variadas, misturas artísticas, olhares e sensações que se complementam para encher os olhos de beleza e despertar os sentindos de quem chega.

Mas não podemos esquecer que tudo isso foi acomodado em um ambiente de 12m². Por isso, foi essencial conduzir o projeto de forma inteligente, com cuidado para o máximo aproveitamento, otimização e funcionalidade do espaço.

Praticidade e versatilidade nas esolhas de móveis também foram palavras de ordem. A estante que vai na sala, por exemplo, poderia estar na cozinha ou no quarto.

Um projeto bem brasileiro, uma tendência global e uma série de ideias que convivem de forma harmoniosa e atraente.

Sobre a CasaCor
A CasaCor é uma mostra de design de interiores, decoração, arquitetura e arte que acontece anualmente no Jockey Club de São Paulo, em outros estados do país (Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, entre outros) e até fora do Brasil, como Miami, Paraguai e Peru. No evento, profissionais consagrados e nomes estreantes assinam projetos em diferentes ambientes, de casas e lofts a lounges e estúdios, passando por salas de estar e de televisão, banheiros, cozinhas e quaisquer outros espaços que possam estar em uma casa. Tudo sempre cheio de inspiração, pensado com inteligência e referências das mais atuais com o intuito de apresentar tendências e novidades do mundo do design de interiores e arquitetura para o público em geral.

Grandes nomes que hoje são referências nacionais foram revelados no evento em edições anteriores, como João Armentano, Roberto Migotto, Sig Bergamin, Léo Shehtman, entre outros.

Neste ano, a CasaCor completou 32 anos com 82 ambientes decorados com o tema “A casa viva”. A ideia era valorizar o contato com a natureza e as relações com as pessoas ao redor, com os animais, com o mundo.

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