Medo de barata, escuro, avião, adoecer, falar em público ou ouvir um não.
Dos mais diferentes tipos, das mais variadas origens – e até uns bem peculiares, todos temos nossos medos. E tudo bem, afinal isso é algo natural do ser humano. Só não é tudo bem quando o sentimento é exagerado. O segredo aqui, como tudo, é manter o equilibrio. Nem tanto a ponto de travar e impedir de viver e curtir os momentos. E nem tão pouco de modo que as coisas saiam do controle e você se coloque em risco.

Segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA (2014), 20,8% das pessoas têm transtorno de ansiedade. Ou seja, vivem em estado de alerta, com um medo antecipado e à espera de que algo ruim possa vir a acontecer a qualquer momento. Às vezes o risco é real, às vezes não passa de coisa da nossa cabeça mesmo.

A SBIE – Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional explica que existem dois tipos de medo: os reais e os emocionais. Os reais são aqueles que envolvem algum risco de fato, como o medo de cair quando estamos grandes alturas, medo de bater o carro quando em alta velocidade ou de ser demitido por ter feito algum deslize no trabalho. Esse tipo é um santo protetor que temos a nosso favor porque funciona como uma espécie de sinal de alerta para não sermos inconsequentes. Ele nos faz pensar antes de agir, medir as consequências dos atos e, assim, seguir com mais cuidado nas escolhas quotidianas e mais segurança em situações perigosas.

Já medos emocionais são criados pela mente e impedem de explorar nosso potencial ou aproveitar a vida de forma plena. Sabe aquela voz interna que sempre coloca o lado negativo das coisas, antecipa o pior e aciona um freio que segura a gente sem razão? Então, é isso. Esse tipo de medo tem boas intenções porque quer evitar situações que possam trazer prejuízos emocionais — é o medo de fracassar, de se frustrar, de ser rejeitado, criticado ou abandonado, por exemplo. O fato é que muitas vezes nada disso é real, são apenas coisas e traumas da nossa cabeça. Assim acabam despertando inseguranças e bloqueios que podem afastar as pessoas de seus sonhos, oportunidades e vivências.

Ou seja, são muitos os tipos de medo, mas todos têm algo coisa em comum, os efeitos físicos. Ao detectar o medo, o organismo trata logo de se proteger e libera alguns hormônios específicos. Com eles, vêm as reações no corpo que todos nós conhecemos bem: batimentos cardíacos acelerados, ressecamento dos lábios e contrações musculares o involuntárias. Vale lembrar que o organismo não sabe diferenciar um medo do outro, e é por isso que temos esses mesmos sinais quando estamos a lazer em uma segura montanha russa no parque, quando estamos diante de um imprevisível e arriscado assalto ou nos preparando para subir ao altar.

E vamos deixar bem claro que apesar de ser parte natural do ser humano, existem os casos mais avançados e crônicos disso tudo, que são os transtornos, pânico e outros distúrbios mentais mais graves. Não vamos nos aprofundar aqui, mas vale sempre ressaltar que qualquer que seja o estágio, a causa ou o tipo de medo, vale ficar de olho aberto. Se perceber que essa sensação está passando dos limites de modo a afetar sua vida negativamente, atrapalhar a rotina ou interferir nas suas decisões e escolhas, procure a ajuda de um profissional capacitado, ok? É ele quem vai fazer os exames e avaliações (físicas e psicológicas) necessárias para te ajudar e orientar nos melhores tratamentos para cada caso.

Papo sem medo
Deu para ver que esse é um tema que rende um bom bate-papo, não é mesmo? E foi isso o que aconteceu nessa edição de #semfiltro, nossa tradicional conversa entre amigos do Estotv. Nesse encontro, trouxemos o assunto para a roda e falamos dos medos de cada um (muitos são diferentes, mas vários em comum). No fim das contas, percebemos que, se prestarmos atenção, iremos descobrir que vivemos pequenos ou muitos medos todo santo dia.

Tem medo do desconhecido e de sair da zona de conforto nas escolhas e decisões da vida por não saber o que vai encontrar do lado de lá. Tem a fobia, que é o medo exagerado por coisas ou situações que, em geral, não tem uma clara razão de ser e não provocam mal nenhum a não ser a ansiedade extrema. E aqui entram algumas bem conhecidas como aracnofobia, que é aversão à aranha, ou claustrofobia, que é pânico de lugares fechados. Mas também umas bastante curiosas e diferentes, como fobia de tomar banho (ailurofobia), de comer (fagofobia), de se apaixonar (filofobia) e até mesmo de letras (literofobia). Entre tantas e tantas outras, claro.

Tem também os medos sociais de não ser aceito, não ser amado, de ser abandonado, da solidão, do desemprego, de rejeição, de receber críticas e julgamentos… E até os medos têm sua época. Hoje em dia é cada vez mais comum pessoas com medos decorrentes da insegurança das violências urbanas e terrorismo, acidentes de carro, instabilidades econômicas ou pela exposição excessiva nas redes sociais e suas consequências na vida real.

E nessa conversa descobrimos que inclusive os mais corajosos e amantes da adrenalina têm medo, acredita? Aliás, esse é um grande aliado para eles. Pois é justamente esse sentimento que faz com que pratiquem suas atividades de alto risco, como saltar de paraquedas ou descer grandes alturas de rapel, com toda a segurança necessária para não ultrapassar limites a ponto de colocar as vidas em risco.

E falando nisso, já parou para pensar que um dos mais comuns é o medo da morte? Mas até esse tem suas variações. Às vezes o medo é de morrer mesmo, mas às vezes partir não é problema e sim a hora em que isso acontece. Uma mãe, por exemplo, tem receio de se despedir cedo demais para não deixar os deixar seus filhos sozinhos no mundo. Outros não querem partir depois das pessoas queridas, pois temem não aguentar a tristeza de vê-las irem antes deles.

Só não podemos mesmo é ter medo de viver. Na palavras de Chalers Chaplin: “a vida é maravilhosa se não se tem medo dela”. Vamos superar esses obstáculos diários e aproveitar cada dia ao extremo!

E você, tem medo de quê?

Deixe uma resposta