Viagem pode ser de férias, pode ser a trabalho, pode ser para um curso, pode ser um trabalho voluntário… Ou pode ser isso tudo junto. Por que não combinar tudo em uma coisa só? Afinal, isso é viajar. Conhecer outros lugares, outros povos, outros estilos de vida, outras versões de nós mesmos. E também levar, levar seu olhar, sua língua, sua cultura… Uma verdadeira troca que tornam a experiência completa e cheia de significado.

Essa edição de #SemFiltro, o papo dos nossos amigos Torrego, Diana Dahre, Kely Savieto, Fabiana Bruto foi uma verdadeira viagem. Literalmente e metaforicamente. Falamos das maravilhas de conhecer cantos e descobrir novos jeitos de ver e viver. E, mais do que ir a lugares e pontos turísticos conhecidos, é desbravar ruelas, encontrar histórias e voltar para casa com muita riqueza na lembrança. Já pensou, por exemplo, em pegar mel diretamente da flor da lavanda nos lindos e conhecidos campos da França?

Viajar abre muitos horizontes e é um verdadeiro presente para nossa alma. Por isso, não importa o motivo, rodar por aí, pelos ares, pelo chão ou pelas águas, sempre alegra.

Felicidade para viagem

E já que estamos falando em viajar e na alegria que isso nos traz, alguns destinos reunem os dois, literalmente. Butão e Finlândia são conhecidos por serem os lugares mais felizes do mundo, cada um por um motivo. De repente são bons lugares para visitar, heim?!

Segundo o Relatório Mundial da Felicidade, feito pela ONU e divulgado em março deste ano, a Finlândia é o país mais feliz do mundo, seguido pela Noruega, Dinamarca, Islândia, Suíça, Holanda, Canadá, Nova Zelândia, Suécia e Austrália. O documento, preparado pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, mede a felicidade em 156 países e leva em consideração o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, apoio social, expectativa de vida saudável, liberdade social, generosidade e ausência de corrupção. Mas também entram nessa avaliação conceitos mais subjetivos, como níveis de compaixão, liberdade, generosidade, honestidade, saúde, redes de segurança social e boa governança.

Em matéria divulgada no El País, Eva Hannikainen, adida de Imprensa e Cultura da Embaixada da Finlândia na Espanha, conta que “a chave da felicidade finlandesa é a confiança, tanto entre seus habitantes como com relação aos seus políticos. ‘É uma sociedade muito transparente e com muitas políticas de apoio social. Além disso, é um país muito seguro e igualitário’. Essas são algumas das razões pelas quais os finlandeses se consideram tão felizes”. Entram nesses fatores itens como sociedade sem grandes desigualdades, educação como pilar básico, boa saúde, muita segurança, qualidade do ar, belíssimas paisagens de tirar o fôlego, entre outros.

Já do outro lado da balança econômica, está o Butão, um país fundado por monges tibetanos, pequenininho (pouco maior que o estado do Rio de Janeiro), localizado ali entre as montanhas do Himalaia. Sem expressão econômica, mas com um FIB altíssimo. FIB nada mais é que a sigla para Felicidade Interna Bruta, um trocadilho com o índice econômico usado mundialmente, o PIB (produto interno bruto). E, acredite, nesse pequeno país o FIB (ou seja, a alegria do povo) é mais importante que o PIB (o dinheiro que o povo tem em mãos).

Aconteceu assim: em 1972, o rei Jigme Singye Wangchuck de apenas 17 anos que havia recém assumido o trono, colocou entre suas prioridades a felicidade do seu povo. E mexeu todos os pauzinhos para descobrir como chegar lá – e colocar em prática, claro. Sempre com a convicção de que isso não estava necessaria e diretamente ligado aos bens materiais que possuíam, afinal, acredita que as necessidades humanas vão além disso.

Para um país aumentar os índices do FIB, quatro conceitos são levados em consideração: desenvolvimento econômico sustentável, preservação da cultura, conservação do meio ambiente e um bom governo. Claro que isso não é uma lei escrita, mas uma ideia bem concretizada entre os governantes do país, que vêm norteando todas as decisões nesses últimos 46 anos. E isso vale para tudo, inclusive decisões econômicas que trariam grande impacto para o cenário nacional. Abrem mão de algumas exportações para evitar os inevitáveis impactos que isso traria ao meio ambiente, por exemplo.

E falando em meio ambiente, nesse quesito o país está naturalmente bem amparado. É considerado um dos cantos mais lindos do mundo, com rios cristalinos, fauna e flora diversas… Há quem diga que é a imagem do paraíso. Mas nem por isso o turismo é forte no local. E mais uma vez a culpa é do FIB. Para evitar impactos no meio ambiente e na rotina de seus moradores, podendo gerar estresse e ansiedade, o turismo é limitado e tem uma série de obstáculos, entre taxas, processos e permissões. Poucos são os turistas autorizados a entrar lá. Assim como o meio ambiente, o bem-estar do povo está acima de qualquer interesse econômico.

E já que estamos falando de destinos felizes, não podemos deixar de lado a Dinamarca, considerado o país mais feliz por muitos anos seguidos. Claro que o lado social e econômico influenciam isso, já que ali a população é super bem cuidada, com saúde e educação de altísisma qualidade à disposição, sem violência…. Enfim, tudo funciona. Mas também tem o fator bem-estar que conta muitíssimo. Tem inclusive uma palavra para definir esse estado de espírito: hygge. Um termo dinamarquês que não tem tradução, mas pode ser descrito como um sentimento de bem-estar e aconchego. E, para muitos, esse é o real motivo da felicidade, acima de qualquer condição social.

Sabe aquele momento gostoso de curtir fazer o que gosta? Num cantinho aconchegante, com uma comida apetitosa, ler um livro, tomar um chá um um vinho… Sozinho ou acompartilhando com pessoas querida. Sem regras, apenas o que der vontade e o que faz bem para a alma. É mais ou menos isso. E podemos nos inspirar nisso, não é mesmo? Eles fazem tão bem que são mundialmente conhecidos por isso.

Claro que não precisamos estar na Dinamarca, na Finlândia ou no Butão para encontrar a nossa felicidade, mas é uma boa desculpa para dar um pulinho lá para conhecer mais esse estilo de vida e nos inspirar…

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