Sempre associamos balcões de bar a barman e sua habilidade de preparar drinks lindos e deliciosos. Aquela verdadeira dança de copos, garrafas e coqueteleiras. Mas eles dividem espaço com outro tipo de profissional, os mixologistas. Que também fazem drinks lindos e deliciosos. Na mesma coreografia de copos, garrafas e coqueteleiras. Essa descrição faz acreditar que mixologista e barman são a mesma pessoa, mas, acredite, têm suas diferenças. O primeiro atua lá no começo, o segundo entra no final do processo. Vamos explicar.

Quando falamos de mixologista até parece que estamos nos referimos a um cientista ou algo do tipo, não é mesmo? Mas é quase isso. Mixologista é um especialista não apenas em preparar coqueteis, mas principalmente em estudar e combinar sabores, texturas e ingredientes para criar drinks lindos de ver e de beber. E não se trata apenas de combinar diferentes bebidas, mas também diferentes alimentos, condimentos e tudo o que fizer sentido junto. É ele quem descobre que aquela fruta combina com aquele tempero e que fica maravilhoso com aquela outra bebida. E sabe o pepino que você nunca imaginou no seu copo em uma festa, mas que ficou maravilhoso? Culpa do mixologista também.

Nessa verdadeira alquimia, não à toa que podemos encontrar nas mãos dos profissionais da área ferramentas como maçaricos, conta-gotas, balanças… Tudo para alcançar misturas perfeitas, inusitadas e que despertam todos os nossos sentidos.

Mas voltando ao barman, o papel dele é colocar em prática essas maravilhas criadas pelas mixologistas no atendimento ao público. Ele entende tudinho de cada drink, cada proporção, cada acessório e toque especial que a bebida precisa. E apesar de barman e mixologista não serem exatamente a mesma coisa, andam juntos. Um cria, outro coloca em prática. Ambos atrás dos balcões, ambos com criatividade e muito conhecimento. Ninguém melhor que ninguém, mas essenciais um ao outro e se complementam.

Festas saborosas
Para descobrir mais desse universo, o Torrego conversou com a equipe da Class Bar, especialista em coquetelaria. Na equipe, o mixologista Roberto Monari e mais uma turma de peso composta por especialistas em preparar, vender, atender… Todos se complementam para oferecer os melhores coquetéis e experiências sensoriais a seus clientes em festas e eventos.

A Class Bar parte do princípio de que nós, seres humanos, percebemos o mundo através dos sentidos. Ou seja, não adianta agradar só o paladar, é preciso pensar no todo e conquistar também o olfato, a visão… Enfim, a experiência completa. E para chegar lá, não entra apenas a escolha dos ingredientes, com seus sabores aromas e cores, mas também a cristaleria. Eles estudam o melhor recipiente para servir. Para cada drink, um copo e material específico que vai ajudar a valorizar e destacar a bebida.

Claro que cada cliente tem uma personalidade, uma preferência, uma expectativa em relação aos coqueteis que vai servir. Assim como cada evento pede um estilo diferente. Porém, existem bebidas que são clássicas e não podem faltar, como caipirinha, e outras que ganham destaque em cada época. Nos últimos anos, a Gin Tônica e o Moscow Mule são duas das queridinhas nos eventos.

O Moscow Mule não é novo no mercado, mas voltou à tona nos últimos tempos e não pode faltar nas festas. Na Class Bar, a receita ganhou uma releitura com um toque especial já característico da empresa para o paladar brasileiro.

Lá, o drink é preparado com vodka, concentrado de limão siciliano, folha de limão kafir, suryp artesanal feito simple syrup e, para arrematar, espuma artesanal de gengibre e pó de cardamomo. Uma composição equilibrada e com ingredientes que harmonizam entre si e ganham o paladar e animam a festa.

Moscow Mule
Mas apesar de estar com tudo nos últimos anos, o Moscow Mule não é novidade no mundo dos coqueteis. Muito pelo contrário, está por aí há bastante tempo, mais especificamente desde os anos 30.

Sem dúvida se tornou um sucesso de público, mas antes de começar a dar certo as coisas deram muito errado. Na época, a marca de vodka Smirnoff estava com muitas dificuldades, prestes a entrar em falência. Diante disso, um executivo americano da área de bebidas, John G. Martin, fez uma oferta e comprou a marca.

A decisão foi questionada, afinal, estamos falando de um americano comprar uma marca russa em um período histórico bastante conturbado. E o resultado é que, principalmente pore sses motivos, a aceitação não foi imediata. Mas ele deu a volta por cima com muita criatividade. A ideia surgiu no bar do amigo amigo Jack Morgan, em Los Angeles, que também estava com problemas de vendas: sua cervejaria estava com um estoque encalhado de Ginger Beer (cerveja de gengibre).

Duas bebidas desacreditadas, dois criativos e, mais que isso, dois empresários dispostos a não perder dinheiro. A solução para eles foi óbvia: juntar forças. Ou melhor, juntar bebidas, criar uma terceira, dar outro nome e apresentar para as pessoas algo novo. Assim, reuniram vodka, cerveja de gengibre, um toque de limão e estava pronta a primeira versão de Moscow Mule.

E a tradicional caneca de cobre em que é servido o drink? Também veio de um problema. A namorada de Jack, Ozaline Schmidt, tinha uma fábrica de produtos de cobre e tinha essas canecas também encalhadas no estoque. Isso é o que diz uma das versões da história…). Pronto, se tornou o recipiente ideal para o novo drink!

Para popularizar a bebida, continuou contando com boas ideias. Comprou uma câmera Polaroid, que era super novidade na época, e foi de bar em bar oferecendo a bebida e fotografando o barman com a receita pronta. E aí usava essas imagens nos bares seguintes para mostrar o quão popular estava a bebida.

Assim, espalhou a vodka pelos Estados Unidos, a nova bebida pela cidade americana (e depois pelo mundo) e resolveu o problema das garrafas encalhadas de uma só vez. E quem saiu ganhando fomos nós, com um drink delicioso em uma canequinha super charmosa.

Ah, o nome? Traduzindo seria algo como “mula de Moscow”, e dizem ser uma referência ao efeito “coice” que a vodka dá pelo alto teor alcoólico (teor alcoólico varia de 35% a 60%).

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