Uma personalidade ativa, inquieta, cheia de energia, criatividade e muita disposição. Se juntarmos tudo isso o resultado é o artista plástico e empresário Hermes dos Santos. Conhecemos seu trabalho quando visitamos o espaço criado pelos arquitetos Julio Dantès e Camila Szuminski, na CasaCor São Paulo 2018, evento de decoração e arquitetura que acontece anualmente em diferentes cidades do Brasil. E logo quisemos conhecer de perto criador e obra tão inspiradores. É com ele que conversamos nessa edição mais que especial de #estoart.

Artista nato
Autodidata e curioso, Hermes nos contou que desde cedo foi um curioso e se envolvia em criações diversas. Era aquele tipo de criança que desmontava objetos que encontrava pela frente para montar novamente, mas de um jeito diferente. Transformar objetos, ressignificar peças, mudar suas funções sempre foi algo presente na sua infância.

O tempo foi passando e essa característica nunca desapareceu. Pelo contrário, foi ganhando cada vez mais força dentro dele e espaço em sua vida. Foi se descobrindo e desenvolvendo como artista.

Empresário também
Mas nem só de arte vive o Hermes. Enquanto imaginava e criava, foi abrindo espaço no mundo empresarial. E com o mesmo sucesso! Hoje, ele é referência no setor automotivo e tem amplo conhecimento de máquinas de última geração.

Mistura perfeita
Hoje, o Hermes dos Santos empreendedor e o Hermes dos Santos artista andam juntos. E a pergunta que fica é: como é possível reunir duas características aparentemente tão distintas e distantes uma da outra? Com a tão característica imaginação do artista, é claro.

Para começar, alimenta a mente com ideias e inspirações. Esse material ele vai trazendo de viagens que faz ao redor do mundo. E vale tudo nesse processo de temáticas surpreendentes e reluzentes: fundo dos mares, seres místicos, o universo náutico, símbolos icônicos e objetos lúdicos… Nada passa batido pelo seu ollhar curioso e sensibilidade apurada. “Ao visitar aquários, museus como Van Gogh e Louvre e ilhas do Havaí, Hermes guarda na lembrança os lados inusitados e subliminares do concreto e do belo”, conta em seu site.

Com a cabeça repleta de material e borbulhando, é hora de trazer para o mundo real. Suas obras de arte passam por um processo autoral bem característico do artista, um trabalho criativo que é curioso e autêntico. Nesse caminho, combina seu olhar apurado a pesquisas diversas para se aprofundar nos temas e referências e alia a técnicas em computadores de última geração, robôs articulados, impressoras 3D e softwares variados para a criação robótica.

Para completar essa verdadeira mescla, com os materiais não poderia ser diferente e mistura diferentes matérias-primas também. De madeira a vidro, de metal a plástico… Vale tudo o que for preciso para alcançar o resultado que tem em mente e nos contemplar com peças de tirar o fôlego.

Da mente criativa para o mundo real
Todos esses elementos (imaginação + inspiração + conhecimento tecnológico + materiais diversos) entram no processo criativo e resultam em belíssimas obras. E tem de tudo. Desde peças menores que se encaixam em ambientes internos, como o que foi exposto na CasaCor e conferimos pessoalmente, até um dos mais magníficos Parques Tecnológicos da manufatura Aditiva e Impressão 3D, localizado em Alphaville, em Barueri (SP). “Ao transformar seu exuberante Parque Tecnológico de Alphaville em um peculiar atelier de produção de Obras de arte em 3D, Hermes Santos concebeu a perfeita união entre modernidade, arte e estética”, como define seu site.

Conforto e tecnologia
Nessa conversa com Torrego, os dois estão sentados nessa cadeira super inventiva, criativa, diferente… Reconheceu as características? Com essa descrição só podemos deduzir se tratar de mais uma obra do Hermes. E é isso mesmo. A cadeira batizada de High Heel (salto alto, em inglês) é sua mais recente criação, que foi lançada na 7ª edição do DW! – Design Weekend, semana dedicada ao mundo do design em São Paulo (SP).

A peça, produzida por robótica, mescla tecnologia, ergonomia e estética. É ao mesmo tempo arte com movimento e traços orgânicos, ao mesmo tempo funcional com ergonomia, como uma cadeira deve ser.

Hermes conta que sempre foi apaixonado por cadeiras. “Considero algo icônico”. O grande desafio aqui era sair do lugar comum e fazer algo que não fosse mais do mesmo. Afinal, a história de cadeiras e poltronas é milenar, portanto já foram produzidas diversas e dos mais variados modelos por aí. “Procurei fazer algo inédito”, e esse foi o ponto de partida do artista para esse design. A inspiração veio, claro, do mundo ao redor. Nesse caso, especificamente, veio do mundo debaixo d’água. Os traços e desenhos vieram do que viu e sentiu no fundo do mar, trazendo referências de algas marinhas, corais e outros seres marinhos.

A estrutura da peça é de alumínio e para ser esculpida usou uma técnica italiana de diagramas de Voronoi. Para realizar esse processo, o artista subdivide um plano através da geométrica computacional.

A cadeira High Heel é uma peça tão exclusiva que faz parte de uma edição limitada. Hermes produziu apenas 36 unidades e serão lançadas em lotes de seis.

Peças com personalidade
A gente pode não entender direito a parte técnica das criações do Hermes. Mas nem precisamos, não é mesmo? O que vale é sentir! Captar toda a sensibilidade e emoções que as peças carregam e transmitem para quem interage com elas, seja olhando, sentando, adentrando…

Diante de sua produção, vemos um resultado que é sempre único, cheio de personalidade, que desperta os sentidos e ganha diferentes interpretações de acordo com o olhar de cada um. Como uma obra de arte deve ser, afinal de contas.

E já que a inspiração do artista vem de muitos e diferentes locais ao redor do mundo, desejamos que a sua arte também viaje o planeta e surpreenda muita gente. “A arte tem que circular, tem que ser dividida”, concorda o Hermes. E torcemos que assim aconteça!

Deixe uma resposta