Nessa edição de #SemFiltro, os amigos Torrego, Keli Savieto, Fabiana Bruno e Diana Dahre tiveram uma conversa sem filtro nenhum, literalmente. Falaram de cachorros espertos que comecam a ter hábitos similares aos do dono humano, da falta de privacidade quando se tem filhos, e desabafaram sobre as surpresas da maternidade. Porque ser mãe é uma benção, uma alegria, uma felicidade sem fim, mas também tem suas dores e pontos negativos. E isso, que quase ninguém fala, nós falamos.

Pesquisa reveladora
Um estudo feito pela Kid day care e divulgado no Daily Mail, na Inglaterra, mostrou que a maioria das mulheres mente sobre as dificuldades em ser mãe. A pesquisa é antiga, de 2014, mas as informações coletadas refletem o cenário da maternidade ainda hoje.

Em geral, as mães exageram sobre os pontos positivos e a tranquilidade no dia a dia do recém-nascido. Dizem que está tudo bem, só que nem sempre está e a mentira é uma forma de esconder o medo de demonstrar um possível fracasso na nova missão. Nessa pesquisa, foram mil mulheres entrevistadas, e para 90% delas tudo estava indo bem na rotina, nos cuidados e na adaptação da nova vida, mesmo que a verdade fosse outra. Ainda segundo no estudo, 41% delas não gostam de pedir ajuda e nem aceitam auxílio de familiares e amigos porque não querem demonstrar que não estão dando conta do recado.

Mas também abriram o jogo e 79% das entrevistadas assumiram que os primeiros três meses foram mais difíceis do que o imaginado. Dentre os maiores desafios da maternidade, destacaram: falta de sono, pressões financeiras, problemas de relacionamento, sair de casa com o bebê e pressão para saber todas as respostas.

Vida real
No nosso papo, a Fabiana traz, de uma forma muito engraçada, situações da maternidade pelas quais passou. Ela conta que sempre quis ser mãe, que foi maravilhoso amamentar. Mas, por outro lado, viu suas formas mudarem e, com isso, até sua postura corporal foi alterada. Também foi um choque a mudança brusca em sua rotina: num dia, estava agitada, com a agenda cheia em gravações e rodeada de gente; no dia seguinte, estava trancada em casa, passando os dias com camisola. Ir ao mercado era o grande momento do dia, um verdadeiro evento social.

Apesar das risadas que a experiência da Fabiana proporcionou, a verdade é que essa realidade atinge as mulheres e quase ninguém fala sobre essas mudanças na vida pós-maternidade.

Sobre as coisas que quase ninguém comenta dessa fase:
_Que o corpo da mulher muda a gente sabe, mas tem uma mudança que quase não é comentada: o pós-parto. Ela passa nove meses com a barriga crescendo, mas consciente de que tem um bebê ali dentro. O que ninguém fala é que o bebê sai, mas a barriga de gestante continua lá, como se estivesse no quinto mês de gravidez. Um incômodo que vai além da questão estética, mas de se reconhecer no próprio corpo. Mas claro que isso é normal com todas e vai voltar ao normal com o passar do tempo.

_ Você vai olhar para aquela carinha linda do seu filho e morrer de amores, aquele sentimento lindo e incondicional maior que tudo e difícil de explicar. O que ninguém fala é que esse amor pode não chegar junto com o bebê. Às vezes é preciso tempo para construir isso no dia a dia, com a convivência, com o contato físico do toque e do abraço, um processo de adaptação… E também é super normal (há casos mais graves, em que a mãe rejeita a criança e aí pode indicar algo mais grave e um médico deverá ser consultado).

_Amamentar é algo natural, instintivo, inato do ser humano. O que ninguém fala é que, como tudo na vida, também é um aprendizado. Tem a melhor posição da mãe e do bebê, tem a pega certa da criança, tem o elite que pode demorar a descer, pode ter dor e machucado (afinal, a pele da região é muito sensível)… Ou seja, uma série de coisas que podem fazer com que momento da amamentação não seja mágico de imediato ou até que impeçam esse gesto. E se isso acontecer, tudo bem, não faz ninguém menos mãe por causa disso.

_O bebê chora e ponto, essa é a forma dele se comunicar. Isso todo mundo sabe, o que ninguém fala é que ele não vai parar e você não vai saber o motivo de cara. Choro é choro até a convivência te ajudar a identificar os tipos, as necessidades, do que fazer para acalmar e resolver… Um aprendizado constante e você chega lá.

_Ter um bebê traz leveza e alegria pra uma casa. O que ninguém fala é que, de vez em quando, pode ser que você tenha sentimentos negativos, como tristeza, desespero, irritação. E, por sentir tudo isso, ser tomada pela culpa. É normal, só não sinta-se culpada. Lembre-se que na vida real nada é um mar de rosas, tudo é um processo de aprendizagem. Nesse caso específico, tem uma vida que depende de você, portanto é natural ter instabilidades, inseguranças. No fim das contas, você é humana e tem fraquezas.

_Nos primeiros meses, você não terá tempo pra nada, isso está claro. O que ninguém fala é que muitas vezes nem o pijama vai conseguir tirar ao longo do dia. Banho? Xixi? Água? Vão ter que esperar. Eles vão voltar, mas até lá, respire fundo.

Enfim, nada disso é para assustar, pelo contrário, é para confortar. Tudo o que falamos vem de experiências de outras mães, mulheres que passaram por isso e dividiram suas experiências para acalmar outras mães de primeira, segunda ou qualquer viagem. Afinal, no fim das contas o que ajuda são experiências, conversas e trocas com outras mães de primeira, segunda ou qualquer viagem. Ouvir quem já passou pela mesma coisa e já viveu as mesmas delícias e dores, é quem vai entender e agregar. E fortalecer para seguir na nova missão. Que vai ser linda, isso depois você venha nos contar. Combinado?

Deixe uma resposta