Todos conhecemos as frases: “Com o tempo tudo passa” e “Nada como o tempo” ou “amanhã será outro dia”. Até parece mesmo que esses chavões são consolos para quem está sofrendo. No entanto, nem sempre é o caso.  O tempo pode, até mesmo, anestesiar um pouco a dor.   Mas, os dias passam e a agonia continua. O tempo pode jogar o sofrimento para seu subconsciente ou inconsciente, fazendo-o crer que o problema foi superado.

Na realidade, o tempo em si não cura. Basta um acontecimento qualquer para, de repente, fazer a dor antiga voltar à superfície.

 As perdas na vida são sempre constantes nas nossas vidas. Se parar e pensarmos, perdemos desde o dia que nascemos.  Para iniciar, o nosso próprio nascimento.  Perdemos o útero materno, e nossa primeira separação simbiótica. Nossas angustias não se referem apenas à morte das pessoas que amamos, divórcios e partidas, mas também à perdas consciente ou inconsciente de expectativas de relacionamentos, amizades e até do nosso poder de decisão.  Temos também a perda da nossa juventude, da nossa habilidade física e mental.  A nossa vitalidade, as rugas, a queda de cabelos, nos faz pensar sobre as constantes perdas que sofremos ao longo da vida. Ao mesmo tempo, isso nos faz ganhar experiência, maturidade e equilibro ao longo dos anos.

Existem também alguns estudos como publicado em dois livros sobre esse tema. A autora Judith Viorst publicou em 2005 o livro “Perdas Necessárias” um brilhante trabalho sobre como reagimos e enfrentamos esse tema sobre o tempo, a vida e esses prejuízos que sofremos ao longo da vida.

A quem desejar maior aprofundamento no assunto, é recomendada também a leitura da obra de Elisabeth Kübler-Ross, em especial o livro “Sobre a Morte e o Morrer”.

Ambas autoras explicam que estudos mostram que a maioria das pessoas passam pelas seguintes fases: Negação, raiva, barganha, depressão e resiliência.

Aqui seguem os estágios de relatos de como a maioria das pessoas vivenciam as etapas do luto.

Estágio da negação

Primeiro choque é que não acreditamos que a noticia é verídica.  Parece que um pesadelo aconteceu, ou você ouviu, ou viu errado.  O cérebro não aceita aquela informação. Obviamente, quanto mais amamos a pessoa, menos somos propensos a acreditar que alguém pode nos deixar.

Uma reação bastante comum é, não isso não pode ser verdade, acompanhado de manifestações físicas como gritos, socos ou até mesmo um período de silencio longo para pode entender o que o consciente ainda não consegue aceitar.

Estágio da Raiva

Essa próxima etapa, já demonstra a parte consciente do individuo que a notícia de fato infelizmente ocorreu. As emoções que se apresentam são fortes de contrariedade.  A impotência toma conta das ações impulsivas. Murros, jogar objetos, gritos e descontrole são comuns. Aqui o individuo se frustra e a energia é dispensada para fora do Eu.

Nesse ponto, a pessoa deve procurar acolhimento.  O desabafo e até uma terapia é de grande valia.  Em alguns casos a medicação é necessária quando o prejuízo afeta o dia a dia do enlutado.

Estágio de negociação

Nesse estágio, o individuo começa a imaginar como poderia ter mudado ou contribuído par evitar os eventos que fizeram a pessoa partir.  As conjeturas na imaginação diante da morte consumada começam a serem questionadas.  Muitas vezes até os posicionamentos religiosos são questionados. Uma pergunta frequente é duvidar se Deus realmente existe, já que o tema morte é um tabu pouco discutido. Aqui a grande questão é se a frustração ou desestabilização é temporária ou permanente.  Muitas perguntas e desafios são sentidos pela pessoa.  Grandes debates e questionamentos são constantes na mente.

Estágio de depressão

Segundo a autora Elisabeth K Ross, nesta fase, a falta do ente querido é sentida na intensidade de sua consciência. Negação, raiva e barganha falham. O que se materializa, é a tristeza profunda, um vazio que torna tudo desconexo, desinteressante e sem sentido.

Nesse estágio onde a tristeza é profunda, um apoio psicológico pode se fazer necessário.  Na sociedade em que vivemos o tempo para o luto não é sempre compreendido. E voltar as atividades diárias, requer uma recuperação bastante rápida.

Estágio de Aceitação e Resiliência

Esse é o último estágio do luto.  Aceitar não significa que o sujeito esqueceu, mas de certa forma, o sofrimento já não é tão imbuído de raiva ou de explicações possíveis.  O luto modifica qualquer pessoa.  Quando se trata de uma pessoa muito próxima que amamos, nos também nos transformamos. A compreensão que tudo na vida tem um início, meio e fim chega ao entendimento humano. 

O poder da resiliência é incrível na superação de uma perda. O termo resiliência veio da física para designar a capacidade que alguns materiais têm de absorver o impacto e retornar a forma original. Já se tratando de comportamento humano, resiliência está ligada a capacidade, a habilidade que cada pessoa tem de lidar e superar as adversidades. Uma pessoa resiliente é capaz de enfrentar crises, traumas, perdas, graves adversidades, transformações, desafios e muito mais, elaborando as situações e recuperando-se diante delas. A pessoa resiliente aprende com suas dificuldades e desafios a se adaptar e novamente dar significado a sua vida. A persistência e autoconfiança de que pode superar é algo que supera o tempo.

Concluindo, nem sempre o tempo por si só cura.  As perdas são parte do nosso desenvolvimento emocional.  O sofrimento faz parte da vida de todos os seres humanos, o tempo é subjetivo e muitas vezes abstratos.  Mas, com o tempo de vida e experiências nossa maturidade nos ajuda a nos tornar mais autoconfiantes e resilientes.  Por isso, a esperança e atitudes positivas são sempre virtudes boas para superar perdas por mais difíceis que sejam.

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