Existe uma quantidade incontável de bactérias no mundo. Algumas são do bem e importantes para nosso organismo. Outras, são responsáveis por doenças e epidemias. E tem as superbactérias. Nessa edição do #estotips, o biomédico Roberto Figueiredo, o Dr. Bactéria, falou sobre elas.

Mas você já ouviu falar sobre isso? O nome pode nos fazer pensar em um heroi infantil de desenho animado, mas infelizmente a realidade não é tão bonitinha assim. As superbactérias são perigos reais que temos no mundo hoje, elas as responsáveis por um número cada vez maior de pessoas doentes. E a culpa é nossa mesmo, pois nós é que damos essa força a elas.

Nesse bate-papo com o Torrego, o Dr. Bactéria explica que as superbactérias surgem pelo uso errado de antibióticos. Sabe quando o médico prescreve que o remédio seja tomado por 15 dias e você resolve parar antes porque está se sentindo bem? Ou quando não está muito legal e decide, por conta própria, tomar aqueles dois ou três comprimidos que estão esquecidos no armário? Pois saiba que essas e outras atitudes similares são as responsáveis por fortalecer as bactérias e criar essa versão mais poderosa delas.

Isso acontece porque os antibióticos existem para combater justamente as bactérias, mas eles só conseguem cumprir a missão de eliminá-las se forem administrados corretamente, respeitando as orientações médicas. Se você para antes, a bactéria sobrevive. E, pior, se fortalece e fica mais resistente – afinal, uma característica desse ser vivo é a facilidade de se adaptar ao meio. Dessa forma, da próxima vez que precisar tomar aquele antibiótico, ele não fará mais efeito. Assim, pelos nossos maus hábitos, estamos criando bactérias mais fortes e sem opções eficazes de combatê-las.

Segundo informações no site da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), “a explicação para o surgimento de bactérias mais resistentes está na teoria da seleção natural das espécies elaborada por Charles Darwin. Quando são expostas aos antibióticos, um grupo pequeno de bactérias mais fortes pode sobreviver e posteriormente se reproduzir. Isso significa que, a cada geração, as bactérias mais resistentes dão origem a outras bactérias que também são resistentes. Quando o microrganismo é resistente a um ou mais antimicrobiano de três ou mais categorias dizemos que ele é multirresistente”.

Tratamento adequado
Cada corpo é um corpo, cada quadro clínico é diferente. E é claro que a medicação e a forma como deve ser administrada varia de acordo com o caso. Portanto, se a recomendação médica é tomar a cada oito horas ou doze horas, por dez dias ou quinze dias, e assim por diante, respeite. Pois só o tratamento completo e seguido da maneira correta orientada por um profissional é que vai ser realmente eficaz para aquela doença e, de quebra, evita a sobrevivência de bactérias mais resistentes.

E agora, o que fazer?
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 700 mil pessoas morrem por ano por causa dessas superbactérias. E a previsão daqui para frente não é nada animadora: esse número pode crescer ainda mais e atingir os 10 milhões de mortes até 2050.

Isso porque, como falamos acima, as bactérias estão cada vez mais resistentes e, com isso, as opções de antibióticos para tratar infecções mais fortes ficam reduzidas.

Portanto, nesse caso remediar é o melhor remédio, literalmente. Para prevenir o desenvolvimento das superbactérias, o primeiro passo é evitar quer elas surjam e se fortaleçam ainda mais. E para isso, a conscientização de todos nós é essencial.

No site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), encontramos alguns dos fatores que contribuem para o aparecimento das superbactérias. E, conhecendo os fatores, fica fácil evitá-los.
_tratamento maior ou menor que o recomendado pelo médico
_uso de antibiótico para tratar doenças que não são infecções bacterianas, exemplo, gripe
_uso de antibiótico não indicado para o tipo de bactéria que está causando a infecção
_uso inadequado de antibióticos na área veterinária, especialmente em animais utilizados para o consumo humano
_falta de um bom controle de infecções nos serviços de saúde

Também é importante evitar a automedicação, manter as mãos sempre higienizadas, se possível com álcool gel, em especial quando fizer visitas a hospitais. Aliás, procure ir a hospitais apenas quando necessário para evitar se expor à toa.

Super notícia
Dentre as superbactérias, uma das mais conhecidas e poderosas é a Klebsiella pneumoniae produtora de carbapenemase (KPC). Ela assombra a saúde da população mundial desde o início dos anos 2000, quando criou uma resistência forte contra os remédios existentes na medicina, o que passou a dificultar (e muito) o tratamento das doenças provocadas por ela. Para ter uma ideia, a KPC é resistente a cerca de 95% dos antibióticos ou antimicrobianos existentes. Ou seja, é resistente para valer e um risco real para nós.

Ela pode ser encontrada em fezes, na água, no solo, em vegetais, cereais e frutas. E a transmissão entre humanos acontece pelo contato com secreções do paciente infectado, principalmente em ambiente hospitalar. E é por isso que as regras de higiene e desinfecção nesses locais são rigorosas e extremamente importantes de serem respeitadas pela saúde de todos.

Uma vez no organismo, essa bactéria pode ser a causadora de uma série de doenças, dentre elas pneumonia, infecções sanguíneas e urinárias, complicações em feridas cirúrgicas, e até quadros mais graves de infecção generalizada, e pode, inclusive, levar à morte. Ou seja, não podemos brincar com o assunto. Assim como qualquer outra infecção, o doente pode apresentar entre os sintomas: febre, prostração, dores no corpo e tosse, dependendo do quadro.

Uma recente e boa notícia sobre o tema é uma nova forma de combater a KPC. Recentemente a Anvisa aprovou o primeiro antibiótico que foi desenvolvido especificamente para combater esse tipo. O que faz a diferença nele é uma combinação poderosa de antibióticos que, juntos, garantem maior eficácia na atuação no organismo.

Mas diante de tanta notícia ruim, calma. Ninguém precisa passar o resto dos seus dias preocupado, só é importante ter consciência da existência e do nosso papel nessa batalha. Assim evitamos que as bactérias desenvolvam esses super poderes e, de quebra, evitamos ser infectados por elas.

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