Festão ou encontro de amigos próximos, aniversário de criança ou casamento de adulto, em casa ou no salão, cheio de detalhes ou mais simples. Seja como for, se tem uma coisa que não pode faltar em nenhuma comemoração é bolo! Todo mundo gosta, todo mundo quer, é delicioso e ainda carrega vários significados. Não é à toa que é uma tradição que existe no mundo inteiro – e não é de hoje!

A tradição do bolo de aniversário
Celebrar o dia do nascimento é algo que acontece desde sempre, já na civilização romana essas comemorações entravam no calendário. Mas foi na Grécia antiga que o bolo invadiu os aniversários. Nessa época, a receita, que mesclava mel e pão em formato era lua, era oferecida à Artemis (deusa da fertilidade) como forma de retribuir e agradecer tudo o que a pessoa construiu na vida. E nada era por acaso nesse ritual, nem mesmo o simples ato de cortar e dividir os pedaços entre os convidados. Mais do que uma gentileza, esse gesto representava a partilha da vida do aniversariante com aqueles que estavam ao redor e que amava.

As velas também carregavam um significado – e também têm a ver com deuses. Isso porque acreditava-se que a fumaça das velas era responsável por levar as preces dos fieis ao céu e, assim, protegia o aniversariante dos espíritos ruins e trazia proteção no ano que se iniciava.

As tradições do bolo de casamento
O bolo de casamento entrou em cena na Roma antiga, quando a receita levava frutas secas, mel e nozes no recheio. A tradição nas cerimônias era despedaçar o bolo sobre a cabeça dos noivos e, segundo a crença, quanto mais farelos caíssem sobre o casal, mais prosperidade nessa nova etapa da vida. O que restava do doce era saboreado pelos convidados para que eles também tivessem sorte. Com o passar dos anos, esse gesto foi substituído pela chuva de arroz, comum hoje em dia, mas o significado permanece o mesmo.

Já na Idade Média a tradição era outra. Como forma de desejar sorte e prosperidade aos noivos, cada convidado deveria levar um pequeno bolo, e todos eram colocados em uma mesa grande. Para completar o ritual, o casal deveria se beijar em cima de cada um.

O curioso é que o mais romântico dos gestos, quando o casal faz o primeiro corte com com mãos juntas, teve uma origem nada afetiva ou simbólica. Nasceu de uma necessidade mesmo. Isso porque na Inglaterra Vitoriana os bolos eram cobertos com marzipã, uma pasta dura e difícil de cortar. A solução era o noivo ajudar a noiva a cortar. Reconheceu a cena? Somente anos mais tarde é que surgiu a pasta americana, mais maleável e fácil de cortar. Mas a tradição do casal unido nesse corte inicial sobreviveu ao passar do tempo.

Muitos anos depois, algumas tradições mudaram, outras entraram, os casamentos mudaram, mas os bolos nunca deixaram de fazer parte da festa. Mais que isso, foram se desenvolvendo e ganhando novos significados. Foi assim que surgiu o popular modelo de três andares – e sabia que cada camada tem um porquê de estar ali? A primeira simboliza o compromisso do casal; a segunda é o casamento em si; e a terceira representra a eternidade daquele amor.

O bolo de casamento é um símbolo tão forte de sorte e prosperidade que ainda hoje muitos casais congelam uma fatia dele para comerem juntos na boda de um ano.

A tradicional pasta americana
E quer coisa mais apetitosa e irresistível do que um bolo bem decoração, cheio de inspiração e criatividade? Pois a pasta americana tem um papel importante nisso, porque é umas das responsáveis pelo visual lindo dos bolos que vemos hoje.

Entre os séculos XVII e XIX, o queridinho era o marzipã, uma pasta feita com amêndoas, claras e açúcar. Depois surgiu o glacê real, que não é tão consistente e não é manuseado com as mãos – em geral os confeiteiros usam um saco de confeitar com diferentes bicos para efeitos variados. E foi só em 1556 que surgiu nos Estados Unidos a pasta americana, que é feita de açúcar.

Como a pasta americana tem sabor neutro (ao contrário do marzipã que é forte e não agrada todo mundo), se popularizou na confeitaria porque pode ser usada em receitas diferentes sem interferir nadinha no paladar. E nas mãos de artistas, são moldadas e ganham formas encantadoras e sempre apetitosas.

Tradição em bolos
E hoje o que vemos são os bolos cada vez mais lindos, apetitosos e, podemos dizer, verdadeiras obras de arte. De diferentes tamanhos, com vários sabores, decorados com muita criatividade. Quem entende muito bem do assunto é o boleiro paulista Rodrigo Cacciatore, que teve uma conversa apetitosa com o Torrego no #Estochef dessa semana.

Confeitaria sempre foi uma presente na família do Rodrigo, uma tradição surgida quando ele ainda era pequeno e seus pais resolveram deixar São Paulo para trás em busca de uma vida mais tranquila no interior do estado. Foi lá que abriram uma padaria e essa paixão entrou em casa.

Desde novo ele acompanhava de perto tudo o que acontecia lá dentro, ao lado dos padeiros e confeiteiros. Foi se interessando, colocando a mão na massa, testando, provando, errando, acertando… E já aos dez anos de idade fazia bolo, pão doce e outras delícias da confeitaria.

Depois de um intervalo longe dessa paixão, voltou a essa universo aos poucos, fazendo para os amigos um bolo aqui, outro ali… Até que agora se instalou nesse mundo de vez e está cada vez mais forte.

Nunca fez curso, seu conhecimento é fruto de sua paixão e curiosidade no assunto. Sempre atrás do assunto em livros e tutoriais, foi aprendendo na prática, entre erros, acertos e aperfeiçoamentos. Hoje faz verdadeiras obras de arte de encher os olhos e dar água na boca.

E entre tantas delícias, tem como escolher um só? Não dá pra escolher, mas ele garante que seu preferido é o bolo de laranja com chocolate. “SImples, gostoso e agrada todo mundo”, revela.

Nessa conversa, ele conta mais de sua experiência nesse irresistível mundo dos bolos!

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